"Au revoir France"!

terça-feira, 22 de junho de 2010

FLÁVIO BATISTA

A seleção francesa, nos últimos anos, tornou-se uma pedra no caminho do Brasil. Em 1998, os Bleus venceram a Canarinho na final e levantaram pela primeira vez a Taça Fifa. Oito anos depois, na Alemanha, o jogo foi válido pelas quartas de final e, novamente, festa azul. Se voltarmos um pouco a mais no tempo, recordaremos outra eliminação, na Copa de 1986, no México. Diante de tudo isso, foi inevitável perceber, hoje, um sorriso no rosto dos brasileiros. A França, atual vice-campeã mundial, está fora da Copa do Mundo de 2010.

A derrota por 2x1 para a África do Sul foi só a cereja que faltava para o bolo, já que os Bleus apresentaram muitos problemas desde as Eliminatórias Europeias. A ida para o Mundial só aconteceu devido a um erro de arbitragem e durante a competição, a seleção chamou mais atenção pelas brigas internas que vieram à tona do que pelo seu futebol.

Nesta trajetória do fracasso francês, o Brasil não teve participação alguma. Mesmo assim, o sentimento de vê-los fora de combate nesta Copa do Mundo é muito bom. "Au revoir France"!

Tropeçando nas próprias pernas

PAULO FAZIO

Ao acompanhar os minutos finais do empate entre a Coreia do Sul e Nigéria, uma questão me veio à cabeça: "como os africanos podem ser tão displicentes?". O placar estava 2x2, resultado que levava os coreanos a passarem de fase. Um gol das Super Águias, entretanto, mudaria todo o panorama, classificando os nigerianos. Mas, lance a lance, as chances iam sendo desperdiçadas. Uma delas chegou a ser inadmissível. Ayegbeni recebeu passe de Ayila na pequena área, a centímetros da linha do gol, sem ninguém para atrapalhar ou incomodar, e fez o impossível: mandou para fora. Depois, foi a vez de Martins. O atacante recebeu uma bola enfiada, cheia de açúcar, cara a cara com o arqueiro coreano. Tinha tempo e espaço para pensar na melhor decisão possível. Mas não o fez. Tentou um toque de categoria por cima do goleiro e a bola saiu ao lado da barra, junto com as chances da Nigéria de se classificar para a próxima fase.

Me lembrou bastante, claro que com as devidas proporções, o duelo entre Inglaterra e Camarões pela Copa do Mundo de 1990, na Itália. Depois de sair atrás do placar, os camaroneses, liderados pelo histórico Roger Milla, viraram a partida em quatro minutos, marcando aos 16 e aos 20 do segundo tempo. Os ingleses abriram a sua defesa indo ao ataque, e os africanos seguiram perdendo oportunidades por puro capricho. O castigo veio a galope. Lineker, de pênalti, deixou tudo igual. Na prorrogação, mais do mesmo. Camarões em cima, chances desperdiçadas e outro pênalti, que Lineker fez e fechou o placar: 3x2 para os ingleses. Uma partida que ficou na história como a imagem da África no futebol: muito show e pouco resultado.

Parece que falta algo para os africanos triunfarem. Eles têm habilidade e força física, mas acho que perdem o jogo na própria cabeça. São mentalmente fracos. Se abalam com gols perdidos e levados, não conseguem reunir forças para reagir em situações adversas. E, mesmo quando conseguem, esbarram no próprio preciosismo. Em tentar fazer o mais bonito, um toque com mais categoria. Pode ser que não seja proposital, como algo mais instintivo. Mas é fato que eles tropeçam nas próprias pernas.

Irmãos Boateng: Caim e Abel do futebol

KAUÊ DINIZ

Não é tão raro vermos familiares ou até mesmo irmãos defendendo as cores de um mesmo país numa Copa do Mundo. Neste Mundial, por exemplo, não faltam exemplos: Wilson Palacios, Jhony Palacios e Jerry Palacios (Honduras); Yaya Touré e Kolo Touré (Costa do Marfim); Edgard Barreto e Diego Barreto (Paraguai). Além deles, há os primos Rigobert Song e Alexanders Song (Camarões) e Samir Handakovic e Jasmin Handakovic (Eslovênia), ambos goleiros. No passado, já houve os gêmeos holandeses Frank e Ronald de Boer.

Mas nesta Copa presenciaremos uma situação inusitada e conflituosa. Pela primeira vez, irmãos de sangue estarão se degladiando na próxima quarta-feira, no duelo entre Alemanha e Gana. E é degladiando mesmo porque Kevin-Prince Boateng, meia ganês do Portsmouth/ING, não gostou nada de ser crucificado pelo próprio irmão, Jérôme Boateng, zagueiro alemão do Manchester City/ING, por ter lesionado e tirado Ballack do Mundial. Eles romperam ligação.

Virou uma relação estilo Caim e Abel, mas que, felizmente, não acabará em assassinato, ou em briga dentro de campo, pois enquanto o Boateng ganês estiver no gramado, seu irmão ficará, no máximo, secando-o do banco de reservas, já que não é titular. Tarefa difícil deve ser a do pai David. Por qual dos dois ele torcerá?

Tchau Tchau Unidos dos Nomes Feios!!!

GUSTAVO LUCCHESI

Adeus, Unidos dos Nomes Feios. Mesmo sem a Argentina mostrar vontade, a Grécia se despediu da Copa 2010 de forma melancólica. Quase acerto o placar (chutei 2x1), mas Katsouranis, Papadopoulos, Kapetanos (já vai tarde coisa ruim) e companhia deixam o Mundial marcando apenas dois gols e conseguindo uma vitória em três jogos, tudo isso graças aos amarelões nigerianos. Dizer que os gregos fizeram feio é demais, já que ninguém esperava muito mesmo. Por isso, eles podem voltar para casa sem se envergonhar do que fizeram.

Para os argentinos reservei com exclusividade esse último parágrafo. É impressionante a qualidade dos hermanos do meio para frente. Como já postei anteriormente, eles são uma espécie de Mike Tyson dos gramados, onde a eficiência na hora de atacar é tão devastadora que os defeitos na hora de defender não ficam tão expostos. E é assim que a Argentina joga e acredita que pode ganhar a Copa, encurralando os seus adversários para atacá-los sem parar, pois se der brecha para o adversário respirar e bater também, a chance do gigante azul e branco cair diante de um oponente qualificado é muito grande. Ah, e parabéns a Martin Palermo. Trinta e seis anos, seu primeiro jogo em Copas e seu primeiro gol, com apenas 15 minutos em campo.

África em baixa

BRENNO COSTA

Depois de Camarões e África do Sul, mais um time africano caiu. A Nigéria lutou até os minutos finais, perdeu um gol incrível e foi castigada pela incompetência ofensiva. Quem se deu melhor com o empate por 2x2 foi a Coreia do Sul. Com um bom toque de bola, o time asiático mereceu passar de fase. Previsão de um bom duelo no mata-mata com o Uruguai.

A Coreia do Sul ensaiou uma pressão no começo do jogo, mas ficou mesmo na ameaça. Foram os nigerianos que passaram a se arriscar no ataque com mais propriedade, segurança. Curiosamente, fechavam-se bem na defesa e arriscavam lances perigosos. O destaque foi Uche, que, além de fazer um gol, acertou a trave. Principalmente depois do primeiro tento, a seleção alviverde jogou um futebol mais consistente - o que não aconteceu nas duas primeiras partidas. A maneira como surgiu o gol de empate sul-coreano retrata bem uma certa injustiça. Foi sorte a bola ter entrado.

No entanto, a equipe asiática acertou mais uma cobrança de falta logo início da etapa final. Com a vantagem no placar, a Coreia do Sul voltou a jogar um bom futebol, tocando bem a bola e se expondo no ataque quando necessário. Passou a merecer a vitória. Só que a Nigéria voltou a produzir boas chances. Antes de empatar, um gol incrível foi perdido por Yakubu, sem goleiro. Além disso, Obinna arriscou chutes muito perigosos de fora da área. A emoção de decidir o classificado persistiu até os minutos finais.

Será a despedida da Unidos dos Nomes Feios e da decepção verde?

GUSTAVO LUCCHESI

Adeus Kapetanos (enfim livre desse nome horroroso, que só me remete ao tinhoso lá de baixo). Já vão tarde amarelões africanos. Na reta final do Grupo B, é dia de gregos e nigerianos arrumarem suas malas e voltar para o aconchego de suas casas. Na pior das situações ( com direito a ameaça de morte da torcida a um dos jogadores), segurando a lanterna da chave com duas derrotas em dois jogos, a Nigéria precisa vencer o bom time da Coréia do Sul e torcer para a Grécia derrubar a toda-poderosa Argentina. Mesmo frequentando a lanterna do Bolão da Folha (adeus credibilidade!), adianto que nenhum desses dois resultados irá acontecer.

E antes que alguém tente vestir a fantasia de defensor dos fracos e oprimidos, recorro ao próprio capitão dos africanos, Joseph Yobo, que mostrou sinceridade e covardia na coletiva do último domingo. "Perdemos dois jogos e não temos a menor chance de classificação", sentenciou Yobo. Mesmo sabendo que isso é verdade, dar uma de peru de Natal e morrer de véspera numa Copa do Mundo é, no mínimo, tão irresponsável quanto o futebol africano de anos atrás. Vai dar Coreia do Sul, 3x0.

No outro jogo, mesmo com El Fanfarrón Maradona avisando que irá poupar alguns titulares, os hermanos vencem por 2x1, e carimbam o passaporte em primeiro lugar, com os sul-coreanos em segundo.

E o milagre não veio

GUSTAVO LUCCHESI

Na tentativa de um milagre, bem que África do Sul e França tentaram, mas acordaram muito tarde e perderam o bonde que tem como próxima parada as oitavas de final. Na primeira vitória de Carlos Alberto Parreira em Copas do Mundo dirigindo uma seleção sem ser o Brasil, os bafana bafana mostraram um futebol um pouquinho melhor do que o apresentado nos dois primeiros jogos, pecando, como sempre, nas finalizações e definições de passes. Dizer que foi uma grande apresentação de despedida já é exagero para comover e consolar os já sofridos sul-africanos.

Diante de um verdadeiro defunto francês, os anfitriões da Copa 2010 brincaram de ser gente grande e já podem arrotar que passearam sobre um campeão do mundo e potência europeia. No mais, para a África do Sul resta aproveitar o sentimento de que o “I gotta a felling that tonight's gonna be a good night” ecoado no show de abertura da Copa não serviu muito para o futebol, mas que poderá fazer um belo estrago nos quase 15 dias que restam de festa e confraternização mundial.

Aos franceses, vergonha na cara por uma das seleções mais medíocres que já vestiu o uniforme dos Bleus. Nem a de 2002, que deixou o Mundial sem marcar um gol sequer, foi tão vergonhosa, pois essa de 2010 claramente não foi derrotada por ninguém, pois nunca lutou.

Celeste fortalecida

BRENNO COSTA

México e Uruguai, definitivamente, não fizeram um jogo cauteloso. As duas equipes protagonizaram uma partida aberta, principalmente para fugir de um provável duelo com a Argentina nas oitavas. A Celeste Olímpica, surpreendentemente, mostrou-se superior em um grupo muito equilibrado e saiu em primeiro lugar sem sofrer um gol, vencendo por 1x0. Tem time para chegar as quartas. Já o El Tri mostra deficiência ofensiva e não deve dar trabalho para o time de Maradona, na próxima fase.

O primeiro tempo foi movimentado. O técnico do Uruguai, Oscar Tabarez, repetiu a boa formação do segundo jogo. A Celeste passou de um time retranqueiro na estreia para uma equipe que busca o ataque. Forlán voltou a fazer um bom papel como armador e ajudou muito a equipe a ser melhor na etapa inicial. Já o México sentiu a ausência de Vela, contundido, muito mais pela escolha de começar com o veterano e gordinho Blanco. Ele se movimentou muito pouco, como era esperado.

Para a segunda etapa já era esperada uma certa pressão do México por causa do desempenho da África do Sul diante da França. No entanto, os comandados de Aguirre não conseguiram criar boas oportunidades de gol– uma preocupação a mais para as oitavas, já que o ataque da equipe ainda não se mostrou decisivo. Quando os Bleus anotaram um tento no outro duelo, claramente o México tirou pé do acelerador e administrou o resultado.

Decisão

BRENNO COSTA

África do Sul x França e México x Uruguai respiram decisão. O Grupo A ainda segue em aberto e, logo mais às 11h, terá seus vencedores proclamados. É bem verdade que muitos especulam um empatezinho maroto entre a El Tri e a Celeste Olímpica, com quatro pontos cada. O resultado garante as duas equipes na próxima fase. O problema é que, assim, a seleção de Aguirre fica com o segundo posto e jogaria as oitavas contra a Argentina. Ninguém quer isso! As duas equipes apresentaram um bom futebol até o momento. Se não ficar no jogo de comadres, vale a pena assistir. Mas acredito que a cautela prevalecerá, e o meu palpite é 1x1.

Já os Bafana Bafana jogam pelo orgulho do país e uma escrita antiga. Todos os anfitriões passaram à fase seguinte. No entanto, o time de Parreira não conveceu. Joga com inocência e sem poder de decisão. Falta qualidade técnica. Apenas vontade não tem sido suficiente. Do lado dos franceses, muita confusão. A já especulada desunião foi escancarada. Grupo rachado e que ainda recebe pitacos do aposentado Zidane. Muita vergonha tem passado os Bleus sob o comando do medríoce Domenech. O resultado da partida imagino que seja uma vitória da África do Sul por 2x1.

Destaques da Folha de Pernambuco

O técnico da Seleção Brasileira, Dunga, perdeu a compostura no domingo e xingou o árbitro francês Stéphane Lannoy, o jogador marfinense Didier Drogba e o jornalista Alex Escobar, da TV Globo. A repercussão foi tanta que a Fifa deve anunciar hoje uma punição ao treinador. Esse o principal destaque do caderno Folha na Copa desta terça-feira.

E tem mais: a goleada de 7x0 de Portugal em cima da Coreia do Norte; a recuperação da Espanha, que depois de perder para a Suíça na estreia, venceu Honduras, ontem, por 1x0; e as definições dos classificados dos grupos A e B.

A culpa é de Réveillère

segunda-feira, 21 de junho de 2010

KAUÊ DINIZ

Não é o pitaqueiro do Zidane fazendo inferninho na seleção francesa, nem corpo mole dos jogadores, e muitos menos o esquema tático do time. A culpa pelo péssimo desempenho dos Bleus nesta Copa do Mundo responde pelo nome de Anthony Réveillère. Ele nem entra em campo, é daqueles esquenta banco, mas nasceu numa época imprópria para os padrões Domenech, o técnico com cara de psicopata que comanda a França. O lateral-esquerdo do Lyon/FRA, veio ao mundo no dia 10 de novembro, ou seja, é de Escorpião. Como bom guru astrológico, tão afeito a essas questões, como Domenech foi deixar um detalhe destes passar despercebido?

Se na Copa de 1998 ele deixou de levar Robert Pires, uma das estrelas francesas do momento, na ocasião, por ser de Escorpião e alegar que pessoas deste signo eram desagregadoras e faziam mal ao grupo, Domenech jamais poderia ter esquecido de eliminar da sua lista o pobre Rèveillére. Com certeza, para quem tem Abidal e Evra, para posição, o jogador do Lyon não faria falta.

Mas, na verdade, acho que o que está faltando mesmo na França é mais jogadores de Escorpião, até porque não faltam gênios do futebol que são deste signo. Só alguns nomes para verem se não tenho razão: Garrincha, Pelé, Maradona e Van Basten. É melhor internar o pobre do Domenech, porque já não serve para ser treinador e muito menos guro astrológico.

África decepcionante. América do Sul em êxtase

KAUÊ DINIZ

As duas primeiras rodadas desta Copa do Mundo evidenciaram uma tendência contrastante. Enquanto as seleções africanas, de quem se esperava tanto por jogarem pela primeira vez em seu continente, tiveram, até agora, uma participação pífia, sendo até bastante benevolente no adjetivo, o futebol sul-americano está dando um show, agregando as suas vitórias boas apresentações dentro das quatro linhas. Em dez jogos, a América do Sul ganhou oito e empatou dois, num aproveitamento de 86,6%. Já os africanos, em 12 partidas, só ganharam uma, empataram quatro e foram sete vezes derrotados, ou seja, 19,4% de aproveitamento.

Das seis seleções africanas na Copa, somente uma depende apenas de si para chegar às oitavas de final. Mas, sinceramente, não acredito que Gana consiga parar a Alemanha, mesmo precisando somente de um empate. Camarões já vai embora para casa, e África do Sul, Costa do Marfim e Argélia também deverão tomar o mesmo caminho, pois dependem de resultados bastante difíceis de se concretizarem. Contraditoriamente, a Nigéria, mesmo com duas derrotas, é a seleção em quem aposto minhas últimas esperanças, pois se ganhar da Coreia do Sul e a Grécia passar da Argentina, dois resultados bastante plausíveis, consegue ainda seguir na competição.

Já a América do Sul caminha para colocar seus cinco representantes nas oitavas de final. Argentina e Brasil estão dentro. Uruguai e Paraguai só perdem a vaga se acontecer algo de surreal. E os chilenos só precisam tomar suas precauções diante da Espanha, para não perder e sobrar no saldo de gols.

A Fúria voltou

YURI DE LIRA

Saí pra lá, zebra! Era praticamente impossível, hoje, que a débil Honduras batesse a poderosa Espanha. Apostei em um 4x0 em cima dos "catrachos". Mas os ibéricos, com bastante preciosismo na hora da definição, cansaram de perder gols e ganharam de apenas 2x0, no estádio Ellis Park, em Johannesburgo. O triunfo colocou os pupilos de Vicente del Bosque na briga pela classificação. Acredito que esta vitória tenha sido o que faltava para eles arrancarem na Copa do Mundo.

Desde o primeiro segundo de Jabulani rolando, a Espanha mostrou-se superior. Parecia treino de ataque contra defesa. Embora os gols não saíssem, a Fúria pressionava a todo momento. Somente aos 17 minutos do ato inicial que os ibéricos foram abrir o placar. David Villa (joga muito) construiu um lance digno de videogame e chutou com força: 1x0.

No fim da etapa inicial, o autor do tento deu um tapinha na cara de um hondurenho, mas o árbitro japonês Yuichi Nashimura não estava de olho aberto. O nipônico também não viu um pênalti claro de Mendonza sobre Sérgio Ramos. Outra decepção foi o atacante Fernando Torres. "El Niño" desperdiçou três oportunidades de ampliar a vantagem.

A Fúria voltou com tudo no segundo tempo. Aos seis, Jesús Navas, sem precisar operar nenhum grande milagre, achou, facilmente, Villa livre de marcação. O avançado do Barcelona chutou forte, a bola desviou (sem querer querendo) no zagueiro bicolor Chávez e foi parar no fundo da baliza centro-americana: 2x0. Dez minutos mais tarde, "El Guaje" ainda perdeu uma penalidade máxima. No entanto, nem com Guevara na equipe, os latinos conseguiram revolucionar o panorama do duelo.

Maradona, o Poderoso Chefão

"O Poderoso Chefão": beijo como confiança masculina

THIAGO SOARES
Da Revista da Folha

A Argentina está me dando medo nesta Copa. E não é tanto por causa do Lionel Messi. É Maradona mesmo. Uma imagem não me sai da cabeça: Maradona, de barba, corpo robusto, paletó bem vestido, beija cada um dos jogadores após o primeiro jogo da seleção portenha. Impossível não me lembrar do clássico personagem Don Vito Corleone (interpretado por Marlon Brando), na série de filmes "O Poderoso Chefão" - inspirados no romance de Mario Puzzo.

Corleone comandava uma família erguida às custas de negócios ligados à máfia italiana: para selar a confiança de seus subalternos, tascava-lhes um beijo. Neles, beijava a testa, o rosto, a cabeça - tal qual Maradona. Quando algum de seus subalternos queria mostrar subserviência, pedia para beijar a mão de Don Vito.

Beijo masculino é um troço forte na cultura ocidental porque nós, homens, somos educados a violar nossas fragilidades. E Copa do Mundo, convenhamos, é um momento em que aqueles atletas que vivem no olimpo do futebol, finalmente, são postos à prova. E se fragilizam. Decepcionam. Ou emocionam.

O beijo à la Don Vito Corleone que Maradona deu em seus jogadores talvez seja a demonstração clara de que todos ali estão fragilizados: de Messi a Higuaín, passando por Tevez e Milito. Todos precisam um do outro. Aquele beijo do Poderoso Chefão pode ser uma espécie de "eu preciso de você" em campo. Um homem pedindo num gesto o que, em palavras, talvez seja por demais banal.

Quando vejo o Maradona-Don Vito, não posso deixar de lembrar de Dunga: comandante de exército. São tipos distintos de liderança: há líderes que conduzem subalternos com uma pena; outros com uma marreta. Não há regra certa para melhor resultado.

Pode ser que Maradona, no fundo, seja um grande performer que, como Marlon Brando, ganhe seu Oscar. Prefiro acreditar que sua genialidade seja tão perspicaz quanto a sua delicadeza.

Agito na Copa

DANÚBIA JULIÃO
Da Revista da Folha

Continuamos passeando pelos eventos que movimentam o Recife em época de Copa do Mundo. E um dos destaques da coluna Agito na Copa desta segunda-feira foi o ensaio fotográfico com Tibério Azul, vocalista da banda pernambucana Seu Chico, na seção Minha Copa. Além dele, desfilaram pela coluna o jogador do Santa Cruz, Brasão, o ex-Katinguelê, Salgadinho, o atacante uruguaio Diego Forlán e Marcarena Lemos, que se diz ex do jogador argentino Messi.


Marcelo Lacerda


Com Tibério Azul, o papo foi mais voltado para o futebol. Mesmo não sendo santista, ele é fã assumido dos famosos meninos da Vila. "Dá gosto de parar e assistir a um jogo deles. Seria ótimo vê-los na Seleção. Precisamos daquela alegria para deixar as partidas mais divertidas", disse o vocalista da banda Seu Chico. E Copa do Mundo foi uma coisa que ele começou a gostar com o tempo. Hoje, entende e se sente parte do processo. Um Mundial marcante para ele foi o de 1994, não exatamente porque conquistamos o tetra, com uma Seleção que levou a campo Dunga, Romário e Bebeto - afinal de contas, naquela época, Tibério só curtia a farra. "Foi porque vi os jogos nos Estados Unidos. Foi muito estranho, eles são muito morgados. Não fazem festa", disse. Na hora de torcer, Tibério não tem superstições. Nervoso, não gosta de conversar durante os jogos. Mas quando sai um gol, é só comemoração. Vale de tudo, gritar, pular... o negócio é fazer festa!


Marcelo Lacerda

Zebra de novo não!

YURI DE LIRA

Se Honduras vencer a Espanha, vou começar a acreditar veemente no “Sobrenatural de Almeida” – personagem fictício de Nélson Rodrigues. Não é possível que mesmo diante de um adversário que beira o ridículo, a tão temida Fúria não consiga uma simples vitória. Acho que os comandados de Vicente del Bosque vão meter uns 4x0 nos “catrachos”. Vou mais além. Arrisco dizer que um resultado positivo, hoje, será o estopim para a arrancada dos ibéricos no Mundial. Se não conseguirem estes três pontos, têm de tirar o vermelho da bandeira e deixar apenas o amarelo.

Na Espanha, o duelo está sendo tratado como jogo de vida ou morte. O jornal “Marca” publicou, ontem, uma montagem comparando o combinado nacional com a equipe sul-africana de rúgbi, campeã em 1995 no mesmo local do confronto de daqui a pouco - Estádio Ellis Park. A baixa é o meia Andrés Iniesta, que saiu sentindo dores na última partida e, provavelmente, não será escalado. Contudo, nada que desespere os espanhóis – detentores de boa parte dos melhores meio-campistas do planeta.

O capitão de Honduras, Armando Guevara, acredita que é melhor morrer de pé do que viver sempre ajoelhado (perdoem-me a paráfrase). “Estaremos jogando contra uma equipe importante e não podemos dar tempo para que eles pensem. Eles não são invencíveis”, falou – sem jamais perder a ternura (desculpem-me novamente). O atacante David Suazo, um dos destaques dos centro-americanos, está melhor de um problema na coxa e deverá entrar em campo. Ele pode até dar algum trabalho, mas, sozinho, não fará a Bicolor ganhar a primeira.

Abriram o cadeado

YURI DE LIRA

Futebol sem graça e jogadores sem talento algum. Assim é a Suíça. Talvez mais preocupada em se tornar a seleção que mais passou tempo sem tomar gols em Copas do Mundo, viu o Chile jogar melhor durante todo o confronto, realizado em Porto Elizabeth. O resultado: 1x0 para os chilenos. Com o triunfo, a ofensiva “La Roja” assumiu a liderança do grupo H.

O Chile começou todo saidinho e tomou logo as rédeas da partida. A Suíça, para não variar, chegava ao ataque apenas esporadicamente. Mas o duelo logo esfriou. O meia andino Beausejour (sonolento, quase bocejando) não criava mais jogadas ofensivas. Aos 30 da primeira etapa, o suíço Behrami acabou sendo expulso. Todavia, nem isso foi capaz de desmontar o robusto sistema defensivo europeu. Mesmo diante do ferrolho adversário, os sul-americanos persistiam em tentativas vãs pelo meio-campo. O técnico do escrete dos Alpes, Ottmar Hitzfeld, sem fé em Frei, tirou o atacante e pôs Tranquillo Barnetta no lugar. Mostrando muita tranquilidade, o volante fechou mais ainda o cadeado centro-europeu.

De início, pareceu dar certo. Entretanto, o chileno Sánchez marcou já com três minutos do segundo tempo. Comemorou bastante, porém o bandeirinha assinalou impedimento na jogada. A fim de derrubar a parede alpina, “El Loco” Bielsa colocou Paredes. Mas o loquete suíço seguia incólume. Quando o cronômetro apontava 22, a Suíça conseguiu bater o recorde de maior tempo sem tomar gols em Mundiais – ao ultrapassar os 550 minutos da Itália, entre 86 e 90 . Parecia que a marca era o grande objetivo dos alpinos. “La Roja” pressionava. Sete minutos depois de obter o feito, de tanto persistir, o Chile anotou com González: 1x0, placar final. Apostei em um 2x1 para os comandados do argentino Bielsa. Acertei, pelo menos, o vencedor!

Torcedores no blog Folha na Copa


O torcedor Rodolpho Oliveira, de 22 anos, nos enviou uma foto que ele tirou com os amigos, ontem, em Garanhuns, cidade localizada no Agreste pernambucano. Todos vestiram o verde e o amarelo para torcer e comemorar a vitória do Brasil sobre a Costa do Marfim, por 3x1. Na ordem, da esquerda para direita, Pedro Júnior, Rafaela, Rodolpho e Rose. Obrigado a todos e continuem na torcida.

Feito ketchup

PAULO FAZIO

Um passeio. Não existe outro adjetivo para classificar a vitória de Portugal sobre a Coreia do Norte. Sete gols e a maior goleada desta Copa do Mundo. Até que os asiáticos tentaram, dificultaram a partida no primeiro tempo com sua tática extremamente defensiva, somada com uma boa dose de disciplina tática. Na ida para o intervalo, o placar marcava apenas 1x0 para os lusos, gol de Raul Meirelles. Mas como diz o ditado: "passou um boi, passa uma boiada".

Logo aos oito minutos da etapa final, Simão fez o segundo. Daí em frente, os gols, que não foram poucos, foram saindo naturalmente. A principal estrela da companhia portuguesa, Cristiano Ronaldo, fazia uma boa partida, criava chances, mas não conseguia encerrar o seu jejum de gols com a camisa do país. Hugo Almeiada, Tiago, Liédson. De tento em tento, o elástico placar ia sendo construído, mas o do gajo não saía. Até que aos 42, mesclando um pouco de força e técnica, Ronaldo foi lá e fez o dele. Um golzinho que pode não ter significado muito no placar geral, mas tirou um peso enorme das costas do craque do Real Madrid. Tiago fez mais um e fechou o sacode: 7x0.

Com esse resultado, é muito difícil que Portugal não seja o outro classificado do grupo G. Mesmo enfrentando o Brasil na próxima rodada, os lusos estão em uma situação confortável na chave Com quatro pontos conquistados, o saldo de gols obtido pelos Tugas dificilmente será alcançado pela Costa do Marfim, que joga contra a mesma Coreia do Norte para tentar igualar a pontuação da equipe europeia.

Enfim, para quem tanto reclamou de gols, eles vieram. E vieram aos montes. "Feito ketchup", como disse o próprio Cristiano Ronaldo antes da partida contra os coreanos. Bom para quem assiste, melhor para quem ganha. Principalmente quando pode valer uma vaga na próxima fase da Copa do Mundo.

Ataque contra defesa

YURI DE LIRA

Espanha que nada! Chile e Suíça é quem vão brigar, daqui a pouco, às 11h, pela liderança do grupo H, em Porto Elizabeth. Aquele que vencer dará um passo enorme rumo às oitavas de final do torneio. A seleção dos Andes, apesar de ter vencido Honduras somente por 1x0 na última rodada, foi, ao meu ver, uma das mais ofensivas até o momento nesta Copa do Mundo. Em contrapartida, a defesa da “La Roja” apresenta deficiências – o que pode facilitar a vida dos alpinos (caso resolvam, por milagre, atacar). Os europeus mantêm aquele velho ferrolho na defesa. Para fazer um gol alí é complicado. Medíocres, botam o traseiro na parede e atacam só quando é conveniente.

Não acredito que os suíços ganhem este confronto. A vitória diante da Fúria bastou para eles. Mais do que isso já é querer demais. Aposto em um triunfo apertado dos chilenos, por 2x1. Desta vez, o gordinho Humberto Suazo estará de volta. Recuperado de lesão muscular, ele é uma das esperanças de gols do escrete da terra de Pablo Neruda. Conhecido pela ousadia tática, o técnico do Chile, “El Loco” Marcelo Bielsa, alfinetou os adversários de logo mais ao falar que o futebol ofensivo está sendo preterido ultimamente. “Há mais esforço em evitar que a criação do rival prospere que em favorecer a própria”, sentenciou, cáustico.

Já a Suíça prega o respeito aos rivais. Se depender do treinador Ottmar Hitzfeld, o time do Velho Continente continuará sem ter as suas redes balançadas. “O Chile é muito perigoso e mais agressivo ofensivamente do que a Espanha. Por isso, precisaremos ter organização na defesa para que não marquem gols”, afirmou o comandante – ciente de que o melhor ataque é a defesa.
 

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